O contexto
Cinco anos no mesmo lugar entregando para setores diferentes ensinam algo que projeto curto não ensina: você convive com as próprias decisões.
A arquitetura escolhida no primeiro ano é a que você mantém no quarto. O atalho tomado numa sexta-feira de pressa é o que custa duas semanas dezoito meses depois. Essa é a formação mais valiosa que um desenvolvedor pode ter, e é rara — a maior parte da indústria troca de projeto antes de sentir a consequência do que construiu.
Os desafios
Dois setores, exigências opostas. Mercado imobiliário demanda catálogo, busca com muitos filtros, mídia pesada e sincronização com portais externos. Proteção veicular demanda cadastro, gestão de contratos, regras de elegibilidade e integrações com sistemas de terceiros. Pouca coisa se reaproveita entre eles além da fundação.
Aplicativos híbridos. Entregar aplicativo com Ionic significa lidar com as restrições reais de dispositivo — conectividade instável, armazenamento local, ciclo de publicação nas lojas — além do backend.
Continuidade durante transição societária. A empresa passou por uma transição estratégica. Manter estabilidade de entrega e consistência técnica durante uma mudança dessas é um problema de engenharia tanto quanto de gestão.
O que foi feito
Arquiteturas pensadas para durar. Separação clara entre o que é regra de negócio e o que é framework, para que a troca de qualquer camada não obrigue a reescrever o núcleo.
CI/CD antes de virar consenso de mercado. Pipeline implantado para reduzir o custo de subir mudança e, com isso, o tamanho de cada entrega.
Propriedade ponta a ponta. Levantamento de requisito com o cliente, implementação, integração com API externa, deploy e acompanhamento em produção. Sem repassar o problema para a etapa seguinte.
Progressão para liderança técnica. A transição de desenvolvedor pleno para Technical Lead veio da entrega, não de organograma — o que significa que a autoridade técnica foi construída sobre código que estava em produção.
O que fica desse período
A convicção de que software bom é o que continua barato de mudar. É fácil escrever algo que funciona na entrega. O teste real acontece quando o negócio muda e você precisa acompanhar sem reescrever tudo.
Todo projeto que assumimos hoje é avaliado por essa métrica: quanto vai custar a próxima mudança?